Você é a árvore de Natal

Feliz Natal =)
Você é a árvore de Natal. A árvore de Natal está apontando para cima e seus galhos crescem por todos os lados. É ordenada. Na época do ano em que nenhuma árvore tem folha, ela tem muitos presentes para oferecer. E é verde ao longo do ano . Uma árvore de Natal tem os presentes e as luzes não para si mesma. Todos os presentes que você está carregando em sua vida são para os outros. Qualquer um que vem até você, você lhe oferece seus presentes.
Sua vida é um presente. E você veio para desembrulhar o presente. No processo de desembrulhar, você também economiza o papel de presente. Todo o seu ambiente, situações, circunstâncias e corpo são os papéis de embrulho. Quando desembrulhamos, destruímos o papel de embrulho. Estamos com tanta pressa, por vezes, que até mesmo destruímos os presentes. Com paciência e perseverança, abra seus presentes e economize os papéis de embrulho.
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Sutra do Coração

Sri Sri Ravi Shankar

É facil dizer a alguém para não odiar. Como não odiar? Por que o ódio vem? Porque você pensa que os outros são a causa da nossa infelicidade. É por isso que problemas, dor e sentimento de perda surgem.

Quando você tem um vislumbre de consciência bem profundamente, o Ser está em todas as pessoas, cuidando de todos os eventos. Sou eu quem estou interpretando aquele papel. Eu, naquela pessoa. Ódio desaparece do mundo ao seu redor. A pessoa que vê o ser em si mesmo, e vê o si mesmo em todos os seres é como um diretor, ele planeja os papéis. Então, ele não odeia os vilões. Seu entendimento sobre os eventos e personalidades muda. Nós somos como bonecas de pano. Existe uma consciência em tudo.

Não apenas os seres humanos, todos os elementos são parte desta consciência. Tanto em estado de vapor, congelado ou água, tudo é Um. Todos os cinco elementos são nada. Tudo é uma parte daquele algo que é nada. Este é o “sutra do coração” de Buddha. Então, tudo é nada.

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Papel de Embrulho

Sri Sri Ravi Shankar

Todos os prazeres do mundo são como papel de embrulho; a verdadeira bem-aventurança está na presença dentro.

Amor Divino é o presente, ainda assim nós nos prendemos ao papel de embrulho e acreditamos que já desfrutamos do presente.  É como colocar o chocolate na boca, ainda embrulhado no papel alumínio. Um pouco de chocolate pode vazar do embrulho, mas o papel alumínio machuca a boca.

Desembrulhe o presente. O mundo inteiro está aí para você desfrutá-lo. O sábio sabe como desfrutar o presente dentro, enquanto o ignorante fica preso ao papel de embrulho.

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O Lugar Mais Lindo do Universo

Sri Sri Ravi Shankar

Há um lugar que você pode vir onde tudo é lindo. Os turistas viajam de um lugar para outro procurando por beleza. Com fotos e souvenires, eles tentam levar a beleza de volta para casa junto com eles.  Eles apenas conseguem ficar cansados e bronzeados.

Contudo, o lugar mais lindo é exatamente aqui. Quando você vem aqui, você acha que tudo é lindo, onde quer que esteja. Onde é este lugar?

Não olhe aqui nem acolá; está dentro de você. Quando você está aqui, qualquer lugar fica lindo. Então, onde quer que você vá, você levará beleza.

Se você está infeliz, até a Lua te irrita, coisas doces te dão náusea, música te perturba. Quando você está calmo e centrado, o barulho vira música, as nuvens são mágicas, e chuva é amor líquido.

Reserve para si mesmo uma viagem para o mais lindo lugar do mundo.

Então você achará que todos os dias são férias e uma celebração

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Uma Crise de Identidade

Guruji

O mundo encara uma crise. É fundamentalmente uma crise de identificação. As pessoas se identificam com características limitadas como gênero, raça, religião e nacionalidade, esquecendo a identidade básica: a de que são parte do espírito universal. Essas identificações limitadas nos levam a conflitos: globalmente e também num nível pessoal.

Cada indivíduo é muito mais do que a soma dessas identificações limitadas. A mais elevada identificação que podemos ter é a de que somos parte da Divindade. Depois vem a identidade de que nós somos seres humanos e membros da família humana. Na criação divina, toda a raça humana está unida.

Nós precisamos retornar aos valores que são a essência de todas as tradições maiores.

A religião tem três aspectos: valores, rituais e símbolos. Os valores morais e espirituais são comuns a todas as tradições, e os símbolos e práticas – aqueles rituais e costumes que formam um modo de vida dentro de uma religião – são o que distingue uma tradição de outra. Símbolos e práticas são como a casca da banana e os valores espirituais, a banana. Contudo, pessoas em todas as tradições jogaram fora a banana e estão segurando somente a casca.

Esta distinção, entre valor, ritual e símbolo, foi feita nos tempos antigos. O termo sânscrito “smriti” se refere àquelas práticas que são apropriadas a um tempo e lugar particulares, àquelas coisas que são limitadas ao tempo. “Shruti” se refere àqueles valores que são atemporais.

Na ordem certa das coisas, o que é limitado ao tempo é secundário em relação ao que é atemporal. Contudo, em todas as tradições, nós encontramos essa ordem de cabeça pra baixo. As pessoas tendem a honrar o que está limitado ao tempo – símbolos e práticas – e que lhes dá mais uma identidade individual do que os valores, que são atemporais. O fanatismo, então, cresce e diferenças são defendidas. Se pudéssemos focar nos valores, a maior verdade que o símbolo e o ritual representam, então a maior parte dos conflitos no mundo seriam resolvidos.

Os símbolos variam entre religiões porque eles estão relacionados a fatores de localização, ambiente e tempo. A lua crescente e a estrela na bandeira islâmica foram escolhidas por pessoas que vivem numa região deserta, onde a noite é um agradável alívio do calor escaldante do dia.O sol foi escolhido como um símbolo religioso no Japão e no Tibet, onde ele dá boas vindas ao calor e à sensação de elevação. Símbolos são relativos, mas eles existem para pretender nos levar para algo além do símbolo – para a essência da religião. Nós precisamos buscar pelos mais profundos valores e não ficarmos distraídos pelas diferenças aparentes.

As práticas tem também um tempo limitado, ditando como você deve se vestir, qual o nome você deve usar, o que você pode comer e como uma pessoa deve ser punida caso cometa algum erro. Em todas as tradições, você encontra práticas como estas que eram necessárias na época em que foram instituídas, mas podem não mais servir a um bom propósito.

Os valores humanos, por outro lado, são normas sociais e éticas comuns a todas as culturas e sociedades, assim como às religiões. Eles representam o ponto em comum entre o progresso social, espiritual e de justiça. Muitos problemas que nascem das religiões podem ser evitados através da reintrodução destes valores. E não é necessário usar a culpa e o medo para promover estes valores. Você vai encontrar na história de todos os sistemas religiosos o fato de que culpa e medo foram usados para controlar pessoas, mas tal disciplina não é mais necessária atualmente. Nos dias de hoje precisamos somente cultivar amor e compreensão.

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Salve Sua Mente

Sri Sri Ravi Shankar

Os eventos nas nossas vidas vêm e vão. Agora mesmo, acorde e veja. Tudo o que aconteceu até agora, não é como se fosse um sonho? Ou será, de alguma forma, mais do que um sonho?

Ontem você veio aqui em um avião. Aqueles que vieram, há 20 dias, você estava guardando suas coisas nas malas para vir aqui, e depois você embarcou no avião. Neste momento, quando você acordar e vir – é como um sonho, não é?

O fato que uma dúvida nunca surja mostra que é um sonho. Quando você sonha, não tem lógica. Você está num cavalo, de repente está no oceano, você está dirigindo em direção ao oceano. Não há lógica, ou dúvidas num sonho. Eu lhe digo, a mesma coisa está acontecendo neste mundo. Nós não temos dúvida que nós precisamos duvidar. Este acontecimento, é real? Todas as conversas que você tem na sua mente, ou sobre as pessoas em volta de você, são reais? Todos estes anos, nós culpamos tanta gente. Isto fez você e os outros extremamente infelizes. É isto que nós queremos fazer nas nossas vidas?  Nós somos infelizes e fazemos os outros infelizes também.

Acorde e veja, outros 40 anos. Não parece um sonho? Nós sempre queremos alguma perfeição, nós queremos do jeito que deve ser. E daí? Você estará aqui por alguns anos e o mundo continuará. Haverá imperfeições do jeito que tem hoje. Seus filhos e os filhos deles farão coisas que você não gosta. E daí? Vai mudar? Nossa mania de perfeição traz rigidez as nossas próprias mentes? Nós estamos desperdiçando nossa saúde e causando infelicidade a nossa volta. É este o jeito que queremos viver?

Acorde e veja que tudo que tem acontecido é um sonho – alguns agradáveis, alguns desagradáveis. Você fica com raiva do passado? Há alguma razão pra ter raiva do passado? Você pode justificar isto? Você não pode ter raiva do futuro, certo?

Você pode ter raiva, mas ela não pode durar muito mais do que o tempo necessário para  você desenhar uma linha na água.

Você deve largá-la e seguir em frente. Você pode fazer isto? Assim você ganha a corrida. Salve a consciência. Salve esta mente. Quando você medita, como você se sente? Como uma delicada flor dentro de você.  A mente precisa de proteção. O que pode protegê-la? Com conhecimento, nos elevamos a um nível mais alto de sensibilização. Isto nos faz tão fortes para lidar com qualquer situação, imediatamente. E nos fará capaz de fazer isto com um sorriso.

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Você e as Propriedades

Sri Sri Ravi Shankar

O homem tem tendência a possuir coisas. Quando ele tem algo pequeno, sua mente fica pequena, sua vida fica sufocada e toda a sua consciência fica imersa na casa, carro, esposa, filhos, etc. O eremita deixa sua casa e vai para longe.  Lá, ele se apodera de seu asana, rosário, livros, conceitos e seu conhecimento.

A propriedade mudou de objetos e pessoas para idéias e práticas. Mas o sábio entende que ele é dono do Sol, da Lua, das estrelas, do ar, de todo o espaço e de toda a Divindade. Quando você é dono de algo grande, a sua consciência também se expande e quando você é dono de algo pequeno, então coisas pequenas e negativas surgem, como raiva e cobiça.

Eu me pergunto porque as pessoas não se sentem ligadas ao Sol? A simples existência da vida depende do sol. Talvez seja falta de consciência que faz com que as pessoas se recusem a admitir e a ter sua própria conexão com o universo macrocósmico. Os rishis na Índia ancestral, os índios americanos e os aborígines de todo o planeta insistiram que você deve se sentir conectado ao Sol, à Lua e às estrelas.

Quando você possui algo magnânimo, sua consciência também fica magnânima.

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O Mundo que Muda

Jai Gurudev

Você pode ficar confortável com a incerteza do mundo quando você compreende a certeza da consciência. Frequentemente, as pessoas fazem o oposto. Elas tem certeza sobre o mundo e incerteza sobre Deus. Elas confiam em algo que não é confiável e se entristecem. A incerteza causa desejo de estabilidade, mas a coisa mais estável no universo é nosso Ser.

O mundo é de mudança, o Ser é de não-mudança. Você deve confiar na não-mudança e aceitar a mudança. Se você tem certeza que tudo é incerto, então você está livre. Quando você está incerto por ignorância, você fica preocupado e tenso. Incerteza com consciência traz estados mais elevados de consciência e um sorriso. Outras pessoas pensam que certeza é liberdade. A verdadeira liberdade é  você se sentir livre quando não tem certeza. Muitas vezes sua certeza ou incerteza é baseada no mundo relativo. Ter certeza sobre a incerteza do que é relativo faz você ter certeza sobre a existência do absoluto e traz uma certa confiança no absoluto.

Quando a mente está feliz, ela se expande e o tempo passa rápido. Quando o tempo passa rápido, você está irrequieto ou com estado de alerta exacerbado. Quando a mente está infeliz, ela se contrai; então o tempo passa devagar. Quando você sente o tempo passar devagar, você fica infeliz ou de mente aguçada. Quando você está feliz e ama o que  faz, você simplesmente não sente o tempo. Da mesma forma, quando você dorme, você não sente o tempo.  Quando você esta à frente do tempo, o tempo se arrasta e é entediante. Quando o tempo está à sua frente, você fica surpreso e chocado. Você não consegue digerir os eventos. Para escapar dos dois extremos, muitos recorrem ao álcool ou ao sono mas quando a mente está embotada ou inconsciente, fica incapaz de se sentir.

Samadhi – ausência da mente ou ausência de tempo – é paz, a verdadeira paz. É o melhor médico. Em profunda meditação, você é o tempo e tudo está acontecendo em você. Os eventos acontecem em você como as nuvens que vem e vão no céu. Quando você está com o tempo, você é sábio e sente paz.  Quando a mente está equânime, ela transcende ao tempo. Assim como a mente vivência o tempo, esse momento tem uma mente própria uma “mente grande” com enorme e infinito poder de organização. O pensamento nada é além de um sussurro no momento e alguns momentos de samadhi infunde energia na mente. Antes de dormir ou assim que acordar, na penumbra da consciência, vivencie a ausência de tempo.

A vida é uma combinação de coisas com forma e sem forma. Sentimentos não tem forma mas suas expressões tem. O Ser não tem forma mas sua morada tem. Semelhantemente, sabedoria e graça não tem forma, mas são expressas através da forma. Rejeitando a ausência de forma, você se torna inerte, materialista e paranóico. Rejeitando a forma, você se transforma num sonhador, um asceta perdido ou emocionalmente desequilibrado.

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No momento que você percebe que está julgando, você já parou de julgar.

Ashram de Bangalore, 18 de Janeiro:

P: Por que nós precisamos colocar tanto esforço para o encontra-lo fisicamente? Ou é o Guru que cria essa indisponibilidade por algum motivo?

Sri Sri Ravi Shankar: De modo algum! Eu sou facilmente acessível. Eu sou o mais disponível. Você sabe que gosta de colocar esforço e qualquer coisa que você consegue após ter feito esforço, você aprecia mais. Você não aprecia o que você consegue facilmente. Isso é psicologia humana normal. O coração anseia pelo antigo. A mente anseia pelo novo. O ego anseia pelo difícil e singular. O ego fica orgulhoso em fazer coisas difíceis. ‘Olhe eu trabalhei tão duro! Eu consegui uma coisa tão difícil! Ninguém conseguiu o que eu consegui. Eu fiz algo original.’ Apenas esteja ciente destas leis da natureza, como funciona a mente e o coração. Eu não estou dizendo que é bom, ou que é ruim. É como é. O coração anseia pelo antigo. O coração tem orgulho de amizades antigas. Como o vinho é vendido quando envelhece. O vinho novo não tem nenhum valor. Você não diz, ‘este é meu amor mais recente, meu amor novo.’ Nós queremos o modelo mais recente – o computador mais recente, o carro mais novo. Nós não dizemos, ‘oh este carro tem uma década e eu o comprei agora’ – a menos que seja uma antiguidade. Nós temos orgulho em ter o modelo mais recente ou algo que é original. Como a escalada do Monte Everest. ‘Oh, eu escalei o Monte Everest.’ Um tarefa muito árdua. O que você ganha após ter escalado o Monte Everest? Você não sabe! As pessoas vão em balões de ar quente pelo mundo. Tarefa muito árdua. Por que você quer ir num balão de ar quente quando os aviões estão disponíveis (riso) e criar tanta dor no coração, ansiedade? Porque a mídia vai te perseguir porque você está fazendo algo difícil. Por que você quer fazer o impossível? Porque o ego quer fazer algo. A memória adere-se ao negativo. Se dez coisas positivas acontecem e uma coisa negativa acontece a memória se agarra a negativa . O Eu é apenas uma testemunha de todo este fenômeno. Intocado, inabalado, despreocupado com o que acontece com a mente, o intelecto e o com o ego. Está apenas lá, apenas apreciando. Isso é porque se você tivesse apenas um relance do seu ‘EU’, nada mais importaria. O Upanishad, também declara que uma vez que se consiga dar uma olhada nesse aspecto constante em você, seu aspecto mais central, então tudo mais se torna fútil. Sabendo disso, tudo se torna glorificado. Quando você está centrado, o ego engloba tudo, o corpo brilha, o intelecto fica aguçado, memória fica aguçada. Todas as camadas de existência simplesmente brilham quando o ‘EU’ é percebido. Eu não gosto de usar a palavra autorealizado. Foi usada tantas vezes e muito foi distorcida. Eu diria quando você tem um relance do Ser.

P: Como se sabe quando fazer esforço e quando ter paciência uma vez que se esteja no caminho espiritual?

Sri Sri Ravi Shankar: Quando você está entrando no caminho espiritual, você tem fazer esforço. Você tem que fazer esforço para vir aqui (ao ashram). Você não tem um feriado, você não pega o trem ou o passagem de avião. Quando você quer vir aqui, alguém virá distraí-lo dizendo: ‘Vamos a Goa e aproveitar, nos divertir e coisa e tal. Vamos ver um filme. Por que ir? O que tem de divertido em meditação e sentar com os olhos fechados? Vamos manter nossa mente aberta e tirar tudo de um filme.’ Dessa mesma forma,  100 obstáculos e 1 milhão de tentações virão. Então você põe esforço, ‘eu quero ir, eu quero meditar, eu quero ser centrado, eu quero voltar-me pra dentro.’ Esse tipo de esforço que você precisa fazer. Mas uma vez que você chega aqui, nenhum esforço deve ser feito. Você simplesmente senta. É isso. Você não tem que fazer coisa alguma. Isto não se aplica aos ashramites (residentes do ashram) aqui. (riso) você tem que levantar de manhã e ir fazer a sua sadhana. Você não pode dizer, ‘eu vim ao ashram, me deixa agora dormir e relaxar.’ Vou te dar um outro exemplo. Para pegar um trem, você faz um esforço. Você vai, fica em uma fila, vai à plataforma certa e então ao vagão adequado com toda a bagagem. Às vezes você tem que forçosamente conseguir seu assento, especialmente, aqui, em alguns dos trens da Índia. (riso) mas uma vez que você se senta dentro do trem ou do avião, pronto. Então não há nenhum esforço. Se então, você colocar sua bagagem na cabeça e sair correndo pelos compartimentos, não faz sentido. Você não chegara à estação mais rápido. Então, ou você termina numa estação de polícia ou em um hospital psiquiátrico! Para começar uma prática você tem que fazer esforço. Mas uma vez que está no caminho, você tem que relaxar. Você não chegará mais rapidamente se você continuar correndo dentro do trem. Saiba que tudo é feito para você. Você não tem que fazer esforço. Há um esforço para acender a vela. Uma vez que está acesa então não requer nenhum esforço para tirar a luz da vela. A luz está vindo até você por ela mesma. Mas você tem que acender a vela. Você tem que fazer o esforço de acender a luz. Se você nem mesmo acende e diz, ‘não há nenhuma luz’, então você tem que fazer algum esforço. (Uma vez feito isso), aí você descobre que a luz está se derramando em você. Assim, você veio aqui. Apenas relaxe. Em hindu, diz-se: Shamma jali hai tere liye, Tujhko kuch nahin karna hai. (A vela é acesa para você, você não tem que fazer coisa alguma).

P: Guruji, o Mestre e o “EU’ são os mais encantadores. Obviamente, a mente move-se em direção do que é o mais atrativo. Como estabelecer, facilmente, a mente na experiência do ‘EU’?

Sri Sri Ravi Shankar: Eu acho que já respondi isso.

P: Guruji, mesmo depois estar no caminho espiritual, aquele febrilidade ainda lá. O que fazer pra se livrar deste fervor?

Sri Sri Ravi Shankar: É bom ter um pouquinho dessa febrilidade. Tudo bem. Maharishi Patanjali também disse nos yogasutras ‘tivra savenganam asana’ , se há um pouco de febrilidade há intensidade na vontade. É fácil. É bom. Leva embora a preguiça em você. Leva embora a procrastinação. é por isso que o caminho precisa ser atraente de modo que leve embora a letargia em você. O mestre tem que ser atraente, é um requisito da profissão (riso). De modo que você possa lidar com distrações, e que as coisas mundanas, pequenas não o detenham. Os filmes e um pouco de prazer te seguram e te mantêm no mesmo círculo. Eu não estou dizendo não assista filmes. Mas priorize sua vida dos ganhos materiais pequenos para valores mais elevados. é a essência da espiritualidade. É a essência do mestre. Os valores mais elevados têm que ser mais atraentes para te manterem num plano mais elevado, num caminho mais elevado.

P: O que podemos fazer no nosso nível para unir todos os povos de todas as culturas e religiões em celebração?

Sri Ravi Shankar: Nós já estamos fazendo isso. Nós continuamos a fazer a mesma coisa. Ligue para todos e diga, ‘vamos cantar juntos, vamos fazer trabalho voluntário juntos, vamos sentar em silencio juntos.’ O silêncio é a melhor forma de oração. Frequentemente a oração está em alguma língua – Alemão, Hindu, Inglês, Espanhol. De fato, todas significam a mesma coisa. Mas o silêncio é ir mais longe, uma etapa além das barreiras da língua que o universo inteiro pode compreender. A natureza ressoa com ele. Oração silenciosa! A oração em palavras também tem que te conduzir ao silencio do coração. A finalidade das palavras é criar o silêncio. A finalidade da ação é trazer descanso profundo. A finalidade do descanso profundo é trazer realização. Na realização você encontra a alegria, felicidade. A finalidade do amor é criar um profundo estado de felicidade interior.

P: Qual é a diferença entre oração e meditação?

Sri Sri Ravi Shankar: Eu já disse. Oração é pedir, meditação é ouvir. Na oração você pede, “Me dê isso, me dê aquilo, dando instruções e exigindo. Na meditação você diz, ‘Eu estou aqui para ouvir, o que você quer me dizer? Ouvir a Deus é meditação. Pedir a Deus é oração.

P: Como não julgar?

Sri Sri Ravi Shankar: Estudando o seu próprio passado. Olhe quantas vezes você julgou. Toda vez que você julgou, saiu da trilha. Então tenha consciência disso. No momento que você percebe que está julgando, você já parou de julgar. Não dá pra julgar no momento presente. Você julga no passado.

P: Guruji, você diz: “Eu sou você e você sou eu.” Mas eu sinto a diferença. Como me conscientizar que eu sou você?

Sri Sri Ravi Shankar: Em silêncio, servindo.

P: Eu não tenho um emprego e meus pais e parentes se preocupam com isso e eu fico perguntando, ‘Onde eu estou? Quando eu vou ter um emprego? O que fazer?’

Sri Sri Ravi Shankar: Você não tem emprego? ( Sim, respondeu a pessoa). Continue procurando trabalho. Não seja muito exigente. Uma vez que você consiga um trabalho, eles não farão a mesma pergunta. Vão perguntar alguma outra coisa, (risos). Quando você vai se casar? Uma vez que se case, a pergunta será’: Quando vão ter filhos? Uma depois da outra, as pessoas vão continuar fazendo perguntas e você não tem que satisfazer a todos eles. Conte com esses caminhos, estados. ( Ai a pessoa diz, Guruji, Eu estou contente, mas meus pais…’) ao que Sri Sri responde: Não há ‘mas’. Se você está contente , ‘mas’ desaparece!

P: Por que a mente corre atrás de fama, dinheiro e glamour? Isso é necessário?

Sri Sri Ravi Shankar: Bem, você já respondeu! Primeiro, você entende que a mente está correndo. Aí, você tem essa pergunta, ‘É necessário?’ Essa resposta eu deixo pra você. É muito pessoal e muito individual. Eu não acho que seja necessário. Mas minha resposta não será suficiente pra você. Tem que vir de dentro de você. Se não será somente uma invenção de humores. ‘Oh, Eu não quero dinheiro’, Não, eu preciso de dinheiro.’ Uma parte da mente diz, “Eu não preciso de fama e a outra diz, Não, eu preciso de fama”. Assim os conflitos começam a acontecer. Mas quando você acorda e vê aquelas pessoas que tiveram tudo isso – como são superficiais e vazias, aí, naturalmente você descobre que isso tudo não significa nada. Então, você não vai nem desejá-las, nem fazer esforço para renunciá-las. As pessoas que dizem, ‘Eu não quero fama, bem la no fundinho, em algum lugar, a mente está dizendo, ‘Oh, Eu quero fama, eu quero fama.’ Quando o sol nasce, qual é a utilidade de uma tocha acesa? Você está caminhando com uma tocha e de repente percebe que não há porque andar com uma tocha, quando o sol brilha. Então essa é a sua experiência, sua experiência verdadeira. Então quando você corre atrás das coisas ilusórias, você vai perceber que estão causando mais dor, mais sofrimento e ‘não estão me dando o que eu realmente quero’. Aí, há satisfação, há centro, uma força sutil e sólida emerge de você. Então se a fama vem, se o dinheiro vem, não te afetam. Vem ou não vem, não faz diferença pra você. ‘Eu quero isso’ ou ‘Eu não quero isso’, são dois lados da mesma moeda De algum modo precisamos ‘ser’. Permita que seja.

P: Como lidar com decepções quando algo não desejado acontece ou quando se perde alguém amado? Como ainda se pode sorrir ou ficar centrado?

Sri Sri Ravi Shankar: Fala sério, acorde e veja. É tudo um sonho. As coisas acontecem ou não acontecem. Continua sendo um sonho. Uma pessoa inteligente não se sentará para gritar, ‘oh, ontem isto aconteceu no meu sonho, eu era o Primeiro Ministro’. Apenas imagine que alguém está muito feliz porque ontem, (em seus sonhos), era o primeiro ministro ou transformava-se no homem mais rico do mundo. Que você dirá? Que dizer a ele? É bobagem, estupidez. Você fica super alegre com um bom sonho e fica arrasado com um sonho ruim. Um sonho é um sonho, vamos lá. Acorde. Tome uma xícara de chá. Chá de ervas (riso). (Risos e aplausos demorados) A propósito, eu não bebo nenhum chá, não como um hábito. Às vezes, se eu vou em algum lugar e não têm outra coisa somente o chá, para satisfazê-los eu tomo um pouco.

P: Quando usar a objetividade e quando usar compaixão?

Sri Sri Ravi Shankar: Quando você se incomoda com um apego, use a objetividade. E em todas as vezes restantes, use compaixão. De fato, você não pode usar a compaixão. Ou você é compassivo ou não é. Não é uma chave de fenda que você usa às vezes e outras vezes a mantém de lado. A compaixão é como seu nariz. Para perceber que esta lá você tem que estar lá e se não está lá, você também não está lá. (muitos risos) Entendeu? Para perceber que se tem um nariz, você têm que estar lá e para perceber que ele não está lá, você não está lá.

P: Que é a solução alternativa para o açúcar branco e o chá?

Sri Sri Ravi Shankar: Sabe, não seja muito exigente com coisa alguma. Você não pode ir a um restaurante e dizer, ‘você só pode me trazer chá com açúcar mascavo não tomo nenhum chá com açúcar branco’. Seu corpo tem bastante capacidade para ajustar-se. Assim, se às vezes você tem que consumir açúcar branco, tudo bem. Seu sistema imunológico é forte. Mas não faça disso um hábito, consumir um montão de açúcar branco. O açúcar mascavo é o mais desejável. Alimentos orgânicos são os mais indicados, mas se às vezes você não encontrar comida orgânica, não pense que vai adoecer imediatamente. A pessoa que é muito fresca com as comidas, seu sistema imunológico vai ficando cada vez mais fraco e fraco e fraco. As pessoas que são demasiadamente frescas com a comida e tudo isso, não têm força para se defender. Quando você dá a seu sistema imunológico uma chance de trabalhar? Quando um desafio é dado ao sistema imunológico. Então, uma vez ou outra, ocasionalmente, o sistema imunológico deve ser desafiado. Então a autodefesa vem de dentro. Se não, você se torna tão fresco e tão fraco e aí a raiva invade a mente. ‘Oh ah. Eu quero somente comida orgânica. É a única coisa que eu quero. Eu não posso comer porcaria.’ Seu sistema deve ser flexível, ajustável. E isso pode acontecer quando você o torna forte mentalmente. Você resolve mentalmente que ‘isto não vai afetar tanto o meu corpo’. Eu não estou dizendo coma alimentos insalubres. Não, de modo algum, mas eu estou dizendo, ‘não seja fresco demais com os alimentos, a qualidade da comida ou esta comida. Escolha o caminho do meio. Veja, as pessoas na Índia vivem ou são nascidas em favelas, e seus sistemas imunológicos são super fortes. Não são afetadas por doenças facilmente porque seus sistemas imunológicos estão sempre trabalhando. Podem sair de qualquer doença. Escolha esse caminho do meio. Eu sugiro aos estrangeiros que vieram aqui não comerem alimentos de vendedores ambulantes a menos que você o considere limpo. Não coma frutas já cortadas na rua porque as facas podem não ser esterilizadas. É melhor que você não as coma. Você pode comer se o alimento estiver inteiro.

P: Quando sabemos que estamos no caminho do meio?

Sri Sri Ravi Shankar: Quando você não se desvia, você está no caminho do meio.

“Aquilo que você não pode expressar é Amor.
Aquilo que você não pode rejeitar / renunciar é Beleza.
Aquilo que você não pode evitar é a Verdade. “

~ Sri Sri

‘Não é o que você faz, mas o que você é’

Sadguru Pariwar entregou o prêmio Sadguru Bhushan a Sri Sri em Pune (Índia), em 13 de janeiro.

Quando recebeu o prêmio, Sri Sri disse – “Maharashtra tem sido uma terra de Santos e continuará a ser. Em toda casa há um santo. Em toda criança há um santo e em todo santo, há uma criança. O grupo de Sadguru está fazendo um ótimo trabalho em manter viva a tradição e cultura em crianças. Esse prêmio é uma desculpa para nós nos sentarmos juntos. Há apenas Um fazedor. Não é o que você faz, é o que você é. Você não se torna um santo pelo que você fez, e sim pelo que você é. O tanto de compaixão, serviço, amor que a pessoa tem no coração. O trabalho é feito com o esforço de tantas pessoas. Mas se queremos que nosso interior brilhe, então nossa própria intenção é suficiente. A onda de devoção e karmyog em Maharashtra deve sempre permanecer viva. Nossa cultura é de cantar, dançar e celebrar e não de brigar e disputar.

Uma menina de Maharashtra – como ela se tornou uma rainha, ela fez 181 tempos, criou um exército de mulheres para preservar a herança indiana. Toda criança deve saber a história de Ahilyabai Holkar. A vida dela foi tão bem descrita por um estrangeiro à Índia, Francois Gautier. Isso pode ser uma inspiração para toda criança na Índia.

O Sadguru Parivar deve levar a luz do conhecimento para todo lugar e torcer para que ela nunca se apague.

A luz interna deve ser sempre mantida acesa.”

“Aquilo que você não pode expressar é Amor.
Aquilo que você não pode rejeitar / renunciar é Beleza.
Aquilo que você não pode evitar é a Verdade. “

~ Sri Sri

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