Um ateu pode se libertar?

ateu

 

Sexta, 11 de dezembro de 2015, Bangalore – Índia

Pergunta: Querido Gurudev, pode um ateu ser liberto?

Sri Sri Ravi Shankar: Com certeza sim! Mas ele deve remover o rótulo “Eu sou um ateu”. Se ele for um “ninguém”, ele pode ser liberto.

Se você simplesmente diz, “Eu não sei se existe alguma outra força ou não, eu não faço ideia”, então você não é um ateu. Alguém que admite ignorância não é um ateu. Quem é um ateu? Alguém que diz, “Eu sei que não existe Deus”, ele é um ateu.

O que os ateus dizem? “O que eu conheço é tudo que existe, o que eu não conheço não existe! Se algo existe, eu devo conhecer! Como eu não conheço, o que quer que eu não conheça, não existe!”. Se isso é o ateísmo (em que você acredita), então você perderá várias coisas por que você já ‘sabe’ que nada existe, então você não vai querer saber se qualquer coisa existe ou não.

Se você é agnóstico, tudo bem. Se você diz, “Eu não sei, eu não vou acreditar a não ser que eu saiba”, tudo bem. Na verdade, a filosofia Oriental nunca pede que você acredite em algo que não conhece, ao contrário da filosofia Ocidental. No Ocidente, eles dizem que você acredite em Deus, e então um dia você terá uma experiência. No Oriente, eles nunca dirão isso.

No Oriente, primeiro saiba o conhecimento dos cinco princípios (terra, água, fogo, ar, éter), então os três princípios (mente, intelecto e ego), e então o nono (o Ser). Se você conhece esses oito, então você vai conhecer o Ser. Uma vez que você conhece o Ser, por exemplo, atma, então você vai saber o que está por trás do Ser, por exemplo, Paramatma.

Além do Eu, existe algo chamado Eswar, que você só conhece pela experiência. Quando isso vem para sua experiência, só então você pode dizer que acredita! Antes disso, você não precisa acreditar nisso. No entanto, você não pode dizer “Eu não acredito que isso existe!”.

Se eu te perguntar “Você acredita que você existe?”, você vai dizer “Sim”. E o que é você? Quem é você? É sobre isso que trata a meditação! Isso é o que os Upanishads fazem; eles te levam passo a passo para o desconhecido.

Os Upanishads nunca te dizem para acreditar em algo que você não conhece. Essa é também a razão por que a filosofia Oriental nunca esteve em conflito com a Ciência, nunca! A Ciência também vai com um entendimento sistemático do que você conhece, para o que você não conhece. E filosofia Oriental também vai do conhecido para o desconhecido. E existem algumas coisas desconhecidas. Aceitar o desconhecido e amá-lo é o que se chama Shraddha (fé). Quando você tem Shraddha então você entende. Veja, se os Irmãos Wright não tivessem fé de que podiam voar, eles nunca teriam tentado. Essa é a filosofia dos Darshan Shastras.

Existem seis Darshan Shastras (escolas de filosofia que são Nyaya, Samkhya, Mimamsa, Vaisheshika, Yoga e Vedanta). A primeira Nyaya é sobre os meios do conhecimento. Ela ajuda a pessoa a entender se os meios de conhecimento estão corretos ou não. Por exemplo, quando eu digo “Eu estou vendo o sol se pondo e nascendo”, este conhecimento está correto? Isso é Nyaya Darshan.

Na Índia, foi sabido 5.000 anos atrás que a Terra é esférica e que todos os planetas giram em torno do Sol. É por isso que o estudo da Terra (Geografia) é chamado Bhugol, e o estudo do universo é chamado Khagol; gol significa esférico. Foi apenas no Ocidente que Galileu descobriu que a Terra é esférica. Os indianos sabiam disso muito antes.

Em templos muito antigos, talvez templos de 1.500 a 2.000 anos, existe um Varaha Moorthy (a estátua de Lorde Vishnu na forma de um javali), e no topo de seu nariz, uma esfera é mantida (para indicar a Terra). Se você for para qualquer templo antigo também, eles teriam posto todos planetas com o Sol no centro.

Mesmo hoje, se você vir o calendário indiano, Panchanga, ele determina exatamente que horas o Sol e a Lua nascem, que horas o eclipse começa. Toda essa informação é muito precisa! Poderia haver uma variação de apenas alguns segundos, vinte segundos e não mais em alguns lugares. É isso o que vemos nos cálculos que vêm acontecendo por tanto tempo. Isso é possível por que entendemos até filosofia com um temperamento científico.

Agora, dito isso, não pense que não temos superstições em nosso país. Nós temos muitas delas, como mulheres não deverem tocar o Shiva Lingam, mulheres não deverem cantar Gayatri Mantra e todo o tipo de absurdo! Ao longo de todo o tempo a igualdade de gênero vem sendo enfatizada, mas na prática isso não vem sendo feito!

Nos templos, as pessoas vão e despejam litros e litros de leite nas estátuas e vai tudo para a caleira. Em nenhum lugar foi dito que você deve colocar tanto leite nas estátuas. Eu sempre digo que você não deveria fazer isso. Você pode despejar um pouco de leite, mas então dê para as pessoas mais tarde. Existem tantos tipos de coisas feitas por ignorância, coisas que não possuem injunção escritural estão sendo praticadas. Alguém começou algumas práticas, isso simplesmente continuou sem nenhuma base. Nós precisamos aplicar alguma sabedoria filosofal aqui.

Ao mesmo tempo, existem também diferenças na tradição e na cultura. Aqui em Karnataka, uma noiva veste apenas um sari branco no dia do casamento, enquanto em Tamil Nadu, a noiva veste um sari vermelho. Em Karnataka, um sari vermelho não é considerado auspicioso no dia do casamento. Igualmente, existem diferentes costumes. Em Rajasthan, mulheres usam o ghungat (um lenço) para cobrir a cabeça, enquanto em Tamil Nadu e Kerala, as mulheres nunca farão isso, isso é considerado não auspicioso. Esses são todos costumes que tornam o país muito interessante!

 

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