Crise de Identidade e Religião

Jai Gurudev!Eu vejo que hoje o mundo enfrenta uma crise. É fundamentalmente uma crise de identidade. As pessoas se identificam através de características limitadas, como gênero, raça, religião e nacionalidade, esquecendo sua identidade básica como parte do espírito universal. Essas identificações limitadas levam a conflitos nos níveis individual e global. Todo indivíduo é muito mais que a soma destas identidades limitadas. A mais elevada identidade que alguém pode ter é  ser parte da Divindade, e, somente em segundo lugar, que nós somos seres humanos e parte da família humana.

Na criação divina, toda a raça humana é uma coisa só. Junto a identidade certa da nossa verdadeira natureza, temos que retornar aos valores que são a essência de todas as maiores tradições. As religiões tem três aspectos: valores, rituais e símbolos. Os valores morais e espirituais são comuns em todas as tradições, e os símbolos e as práticas – aqueles rituais e costumes que formam um estilo de vida dentro de uma religião – são o que distinguem uma tradição de outra e dão a cada uma seu charme. Os símbolos e as práticas são como a casca de uma banana, e os valores espirituais – a procura da verdade e da sabedoria da nossa divindade – são a banana.  Todavia, as pessoas em todas as tradições jogam a banana fora e se prendem a casca!  Essa diferença entre os valores, rituais e símbolos foi feita nos tempos ancestrais. O termo sânscrito smriti se refere aquelas práticas que eram apropriadas no tempo e lugar, aquelas coisas que eram vinculadas ao tempo.  Shruti se refere aqueles valores que são atemporais.  Na ordem certa das coisas, o que é vinculado ao tempo é secundário ao que é atemporal ou eterno. Entretanto, em todas as tradições, encontramos essa ordem invertida. As pessoas tendem a honrar o que é vinculado ao tempo (símbolos e práticas – aquelas coisas que dão ao indivíduo identidade) mais do que os valores, que são atemporais.  Então, surge o fanatismo e as diferenças que precisam ser defendidas. Nós podemos ver isso hoje, nas guerras que acontecem no mundo em nome da religião. Se nós pudéssemos focar nos valores, na verdade maior que o símbolo representa, então a maior parte dos conflitos no mundo se resolveriam.  Símbolos variam entre as religiões porque eles se referem a fatores relativos como localização, meio ambiente e época.

As práticas também são vinculadas ao tempo, ditando como você deve se vestir, qual nome você deve ter, o que você pode comer, quantas esposas você pode ter, como punir as pessoas se elas cometerem algum erro. Em todas as tradições você encontra práticas como estas que eram necessárias na época que foram instituídas, mas não tem mais objetivo hoje em dia. No alcorão, é prescrito que se alguém rouba, deve ter sua mão cortada.  Houve época que um cristão que quisesse ser religioso tinha que fazer voto de pobreza. Jainistas não podiam tocar em dinheiro (esse dilema foi resolvido tendo alguém carregando o dinheiro para eles). Os judeus não podem trabalhar no Sabbath. Os que seguem essa regra hoje, não podem ligar o interruptor de luz.  Os valores humanos são normas sociais e éticas comuns a todas as culturas e sociedades bem como às religiões. Eles representam uma fusão entre progresso social, justiça e crescimento espiritual.

Os valores atemporais são: um profundo cuidado por toda forma de vida; uma atitude responsável em relação ao planeta; não-violência; compaixão e amor; afabilidade e compaixão; generosidade e compartilhamento; integridade; honestidade e sinceridade; moderação na própria atividade; serviço; compromisso e responsabilidade; paz, contentamento e entusiasmo. A maior parte dos tormentos do mundo em nome da religião pode ser evitado se reintroduzirmos esses valores em comum. E não é necessário usar medo ou culpa para divulgar esses valores. Você encontrará na história de todos os sistemas religiosos do mundo que a culpa e o medo foi usado para controlar o povo, mas essa punição não é mais necessária. Nos tempos de hoje nós apenas precisamos cultivar o amor e a compreensão.

(Do livro “Um Deus, Uma verdade, Um Mundo”)

Leia Mais: Meditação

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9 pensamentos sobre “Crise de Identidade e Religião

  1. Quando Jesus fala em não adora ídolo e imagem é muito mais no sentido de não tornar esses rituais/cerimônias mais importantes do que a prática dos valores espirituais. Vemos que hoje, em muitas religiões, esses valores ficam em segundo plano. 🙂

  2. profundo cuidado por toda forma de vida; uma atitude responsável em relação ao planeta; não-violência; compaixão e amor; afabilidade e compaixão; generosidade e compartilhamento; integridade; honestidade e sinceridade; moderação na própria atividade; serviço; compromisso e responsabilidade; paz, contentamento e entusiasmo. Essa é a base da verdadeira religião!

  3. Li este conhecimento e pensei muito na minha família, pois eles tem dificuldade de aceitar outras religiões que não a deles, mas sei que com muito amor e sabedoria posso mostrar que somos todos amor e devemos seguir o mesmo caminho da união.

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