Discurso do Sri Sri na Conferência Presidencial Israelita “Enfrentando o Amanhã”

22 de outubro de 2009

Sessão intitulada: “Pare o mundo que eu quero saltar!”

As famílias estão ficando menores hoje em dia, e os valores estão se corroendo. Nós não temos o mesmo sistema que tínhamos há alguns anos, quando nossos avós tomavam conta das crianças. Os avós nunca ficavam deprimidos porque eles tinha crianças com quem brincar todos os dias, e eles tinham alguma coisa para fazer em casa. Hoje a situação é diferente: há pequenos núcleos familiares e o maior desafio hoje é a depressão. Em 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que a depressão será a segunda maior causa de mortes. Vocês podem imaginar 92% da Palestina deprimida? 26% da população nos estados unidos tem algum tipo de doença mental e depressão. 30% da Europa sofre de depressão. A estimativa para os próximos dez anos é que pode chegar a 48%. Isto significa que a cada duas pessoas que você encontrar na rua, uma será deprimida. 40% dos professores são deprimidos. Nós não queremos ir para o amanhã, isto é tão deprimente!

Infelizmente, as pessoas nem percebem quando estão deprimidas e dois terço delas nem fazem nenhum tratamento. Elas sofrem, elas se fecham atrás das portas e enfrentam tanta dor e sofrimento porque há um tabu sobre doenças mentais.

Nós precisamos remover o tabu sobre doenças mentais e fazer as pessoas procurarem por uma maneira saudável de viver. Uma mudança no estilo de vida é necessária. Se você olhar para sua mente, temos raiva do passado e ansiedade sobre o futuro. O único momento que nós estamos em paz é quando estamos dormindo e inativos.

Dois terços do nosso tempo no planeta Terra nos estamos correndo rapidamente numa esteira, sem irmos a lugar nenhum.

Precisamos fazer algo drástico. Nós precisamos tomar cuidado com nossa saúde. Um bebê sorri 400 vezes por dia. Um adolescente sorri 17 vezes e um adulto dificilmente sorri. Um sorriso que vem do coração de um indivíduo é sinal de saúde, e para fazer isto, é necessário um pouco de sabedoria. Nós precisamos desenvolver uma visão do amanhã e viver o presente. Metade da nossa saúde nós gastamos para ganhar nossa riqueza e nós gastamos metade da nossa riqueza para ganharmos nossa saúde de volta! 118 bilhões de euros são gastos para se restaurar a saúde mental somente na Europa. Esta é uma revelação chocante para qualquer um. Então, nós precisamos cuidar da saúde mental do povo. Eu diria que nós precisamos parar e pensar um pouco: O que eu quero? Eu sou feliz? Que corrida estou correndo? Como eu posso ter um senso de pertencimento com todo mundo? Como eu posso melhorar o ambiente e eu mesmo?

Quando eu escutava Raheel Raza, eu concordei completamente com o que ela diz. Nós precisamos educar as mulheres. Felicidade e liberdade não são contrarias. Liberdade não é apenas um capricho. Você sabe, os jovens, adolescentes; eles só querem ser livres, não terem nenhuma restrição imposta a eles. Liberdade é o que traz sabedoria na vida e educa as pessoas. Se você é educado, você sabe o que é bom, o que é certo e o que escolher.

Pluralismo e abraçar pessoas de todas as culturas deve ser parte de nossa educação. Quando um indivíduo pensa que ele pertence a certa religião, fica fechado e não permite que outras pessoas sejam parte da vida dele. É quando começa o fanatismo. Quando eu identifico que apenas eu pertenço a isto ou aquilo e os demais não são mais meus, o sentido de pertencimento estreito é a raiz de todos os problemas. Nós precisamos fazer uma abordagem multicultural e multiétnica. Nenhuma comunidade jamais foi perseguida na Índia, incluindo as comunidades persas e judias, quando eles vieram do Irã. Até hoje os parsis são uma grande parte da Índia. Eles administram um dos grandes impérios na Índia. Riqueza e indústrias estão com eles. Este senso de viver num sociedade multicultural existe aqui há muito tempo. Em sânscrito, nos dizemos – ‘Vasudhaiva Kutumbakam’ – o mundo todo é uma única família. Este valor de família única é pregado pela yoga. Ciências como as técnicas de respiração e yoga podem acalmar a pessoa e fazê-la pensar de um nível que dá uma visão de longo prazo. Quando eu vinha para Israel, eles primeiramente me perguntaram: “você quer ter o visto israelense carimbado no seu passaporte?”. Sim, eu disse. As pessoas disseram: “não, não o carimbe no passaporte. Use uma folha separada. Até na embaixada eles fazem isto. Eles permitem-no ter o visto numa folha de papel separada. Se for carimbado no passaporte, amanhã você poderá ter problemas para ir aos países árabes”. Eu disse: “de jeito nenhum, eu o quero carimbado no meu passaporte.” Mesmo quando eu aterrissei lá, eu disse que queria o carimbo no passaporte duas vezes, um de entrada e um de saída.

O mundo é minha família.  Eu sou comprometido com Israel. Eu estou conectado com o povo judeu. Eu estou conectado com o Irã, Iraque, Paquistão, com todos. Logo, nós precisamos acabar com a mente pequena e fazer com que as pessoas se convençam que nós somos todos partes de uma única família mundial. Estamos falando como minoria. Eu gostaria de dizer uma coisa: nós não aprendemos as lições do holocausto. Hoje, o que acontece no Sri Lanka, Burma, Paquistão e Bangladesh é realmente terrível. No Paquistão havia uma minoria de apenas 18% de hindus. Hoje há menos de 1%. O que aconteceu a eles? Para onde eles foram? Nós precisamos acordar. Como minha predecessora, em sua palestra falou, uma abordagem multicultural e tolerância precisam ser promovidas. Nós todos temos que dar as mãos e promover tolerância.

Muito obrigado.

© Fundação Arte de Viver

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