Sri Sri em Israel, 19 de outubro de 2009

Paz e prosperidade caminham juntos. Se há paz, há mais prosperidade. O mundo inteiro hoje está interessado que haja paz no Oriente Médio. Mas sabemos que o problema que o mundo enfrenta é o terrorismo, que não vai desaparecer tão rapidamente.

Há duas grandes comunidades no mundo que sofrem com o terrorismo: uma é a Índia, e outra Israel. Nenhum outro país é afetado tanto quanto estes dois, especialmente a Índia. Em todos os meses do ano passado, aconteceu um ato terrorista. Isso se deve ao fanatismo e ao fundamentalismo, os quais eu acho que podem ser abrandados através de uma  educação multicultural e multireligiosa das crianças. Quando uma criança cresce pensando, “Somente eu vou para o céu. Todos os outros vão para o inferno”, eles criam um inferno para todos os outros. Então nós precisamos mudar a condição mental das crianças para a aceitarmos todos com amor. É este o esforço que temos feito independentemente de religião e histórico cultural para que a mente possa se acalmar. A mente divaga entre o passado e o futuro o tempo todo. Nós temos que trazer esta mente para o momento presente, onde será possível seguirmos em frente esquecendo o passado e não se afligindo com o futuro. Eu diria que todos nós ensinamos de tudo às pessoas, menos como gerenciar a mente. Desde a infância, as crianças têm raiva, inveja e ódio. Nós dizemos a elas “não fique com raiva, não seja ganancioso, não fique deprimido”. Mas nós não dizemos a elas como não ficar deprimido, como não passar por todas estas emoções negativas.

E neste ponto em que eu pensei que devemos usar o poder da respiração, porque a respiração é o elo entre a mente e o corpo. Com o poder da respiração, somos capazes de  acalmar a mente e melhorar nossa percepção, observação e expressão. A respiração tem ajudado milhões de pessoas a limpar suas mentes. Embora algumas técnicas de ioga tenham estado presentes durante os últimos 5.000 anos, elas não chegaram a todos, mas ficaram circunscritas a poucos. Elas eram muito preciosas e somente eram passadas à pessoa certa.  Acho que hoje  devemos  nos abrir e oferecer  isto, que é tão útil, à todas as pessoas independentemente de sua religião e cultura… algo que é útil para acalmar a mente e causar alegria interior.

Eu senti que isso é uma propriedade de todo o mundo, portanto, devemos compartilhá-lo com todos.

Desde que começamos a compartilhar este conhecimento, tivemos uma ótima resposta de pessoas que livraram-se da ansiedade, do ódio e também do medo. Aqui também, em Israel, por toda a faixa de fronteira as pessoas têm tido tanto medo que não conseguiam dormir de jeito nenhum porque em qualquer hora, a qualquer momento, poderia haver uma explosão, um ataque a bomba ou um terrorismo. Estas pessoas podem também superar essas ansiedades, tornar-se mais calmas e  ter essa tolerância. Este tipo de trabalho está acontecendo. Em relação ao mundo dos negócios, você sabe como os mercados entraram em colapso: foram necessários quase 10 anos para que o comunismo deixasse o mundo. E levou menos de 10 meses para que o capitalismo quebrasse, menos de 10 meses. Foi apenas a ganância de  poucas pessoas que fez sofrer milhões de outras pessoas. Isso é um infortúnio.

Assim, estamos nesta conferência, a de Cultura Corporativa e Espiritualidade, na qual temos de parar e pensar como iremos superar isto. Entre vocês, há muitos exemplos de pessoas que fizeram o seu trabalho com integridade, honestidade, mas seu exemplo tem de vir à frente das pessoas. Eles têm de ver que esta empresa tem sido bastante responsável ou que ela tem feito negócios com integridade e honestidade. Isso inspiraria os jovens executivos no mundo. Com esta ideia em mente, nós temos participado da conferência de Cultura Corporativa e Espiritualidade, em que as pessoas percebem que a confiança é a espinha dorsal de um negócio, e que se a confiança se perde então tudo se perde. Essa ideia está sendo promovida cada vez mais, de modo que os jovens têm a oportunidade de serem inspirados. Quando nós éramos crianças, costumávamos ouvir muitas histórias de Mahatma Gandhi e nos inspirávamos nele. Mas hoje exemplos de líderes são necessários no campo dos negócios de modo que os jovens façam negócios com honestidade e integridade. Então nós começamos este projeto chamado Cultura Corporativa e Espiritualidade.

Espiritualidade para mim significa algo que engrandece o espírito… qualquer coisa que traga alegria, entusiasmo e harmonia e gere mais compaixão e o senso de pertencermos a alguém. Hoje a comunidade judaica é muito forte na América e muito bem organizada. Fui um palestrante em uma das celebrações seculares deles há uns dois anos, creio eu.  Eles são muito bem organizados e contribuíram para o crescimento da economia americana. Na Índia, da mesma forma, temos uma comunidade judaica. É bem pequena, mas uma comunidade muito forte e poderosa. Existe uma antiga comunidade judaica há milhares de anos em Kerala e em Mumbai também há uma. As duas linhas de pensamento, o Torah e os Vedas, são os mais antigos do planeta. A mais antiga das religiões é o Judaísmo de um lado, e o do outro lado temos o modo de viver hinduísta, o Hinduísmo. Há muitas similaridades, ambos dizemos a mesma coisa: vocês dizem, “Shalom”, e nós dizemos “Om Shanti, Om Shanti”… “Que a paz reine!”. Que todos nós nos unamos. O mundo é uma linda família. Esta mensagem nós temos de levar a todos os lugares, à porta de todas as casas. A paz é individual… a paz não é apenas a ausência de conflito. É uma emoção interior positiva. Somente quando nos sentimos felizes,  eu considero que estamos em paz. Essa felicidade tem de ser reavivada. Em Israel, entre os jovens há muita frustração. Algumas tentativas de suicídio também estão acontecendo. Esta juventude tem de ser guiada para a paz interior, e isso pode ser feito apenas com a respiração. Eu costumo dizer que devemos secularizar a religião, socializar os negócios e espiritualizar a política. Secularizar a religião significa que os líderes de todas as religiões não poderão dizer que se importam apenas com seus seguidores. Ele tem de se importar com todas as pessoas do mundo. Um Imame não pode dizer “minha responsabilidade é apenas com os muçulmanos”. Ele deve dizer “minha responsabilidade é que todas as pessoas do mundo sejam felizes”. Do mesmo modo, um padre católico ou um rabino… eles somente podem dizer que se importam com todos.  Em sânscrito, nós dizemos, “Sarvejanah Sukhino Bhavantu,” ou “Que todas as pessoas do mundo sejam felizes”. É isto que quero dizer com “secularizar a religião”. O fanatismo e o terrorismo vão desaparecer. O segundo é espiritualizar a política. Se os políticos são espirituais, então eles se importam com as pessoas.  A corrupção e o nepotismo desaparecerão da política. Voltaremos à era de Mahatma Gandhi, quando os políticos realmente se importavam com as pessoas. Então, “socializar os negócios”, que significa dizer que para todo negócio deverá ter alguma responsabilidade social: ajudar instituições de caridade, ajudar mulheres e crianças, não apenas lhes dando dinheiro, mas também cuidando de seu bem estar. Se todos os seus funcionários estão felizes, estão integrados, eles terão responsabilidade e compromisso.  Se não tiverem isso, chame-os e sente-se com eles, converse com eles. Se você não tem tempo para isso, podemos fazer isso para você, no programa que chamamos de APEX, com duração de 4 dias. De duzentas a trezentas empresas já usaram este Programa APEX no qual os empregados mais jovens percebem o compromisso e a felicidade em seu interior, porque a felicidade é algo que vem do interior.

P: Vamos pegar uma ideia – a de que um Imame dirá, “vamos cuidar de todos aqueles que crêem, não apenas dos muçulmanos”, e o rabino dirá “não apenas os judeus, mas de todos”. Então o que na verdade devemos fazer neste momento, já que os extremistas estão ditando o curso dos eventos?

Sri Sri: Primeiramente, diálogo sincero e educação a estas pessoa é essencial. O segundo é que as pessoas da mesma comunidade terão que identificar os extremistas e isolá-los. Para isso, uma pessoa neutra terá que estar lá. Um terceiro grupo terá que vir e facilitar o diálogo, reorientá-los e reaproximá-los.  Conforme vocês viram, nós trabalhamos na Caxemira. Havia 1.500 terroristas do grupo Hezbollah Mohadin que foram transformados. Eles vieram até nós e revelaram, “nós estávamos fazendo algo que era errado. Estávamos matando pessoas.” Eles foram pegos em uma prisão em que trabalhávamos na Índia. Assim, o primeiro passo amanhã, eu diria, seria trabalhar com estes terroristas na prisão. E através deles, contatar outros terroristas que estão soltos mundo afora. Levemos a eles esta educação, esta experiência espiritual, uma transformação em seu modo de pensar. Sei que não é um trabalho imediato, seus resultados vêm com o tempo. Em 2001 ninguém podia ir à Caxemira. As empresas estavam fechadas. Não havia o processo eleitoral. O estado da Caxemira estava uma bagunça. Daí, com o nosso trabalho até 2004, uma grande virada aconteceu. Hoje, 69% das pessoas votaram na Caxemira e os negócios recomeçaram, apesar de ter levado entre 5 e 7 anos. Gota a gota, nós levaríamos alguma diferença, alguma transformação.

Similarmente, se tivermos  100 jovens trabalhando nesta causa em Israel e na Palestina e treinarmos estas pessoas para que pensem sob uma perspectiva diferente, tenho certeza que teremos uma paz maior, porque eu vi este trabalho no Iraque. Eu gostaria de lhes dar o exemplo do Iraque. Sabe, no Iraque nós iniciamos o trabalho entre os Shias e os Sunnis. Havia tanta animosidade entre eles. Oito mil Sunnis foram retirados de um vilarejo Shia. Quando encontramos um dos Sunnis, levamos eles ao vilarejo Shia e os fizemos entender. Eventualmente eles (os Shias) disseram que eles (os Sunnis) poderiam voltar. Este é apenas um exemplo. Sei que há muito mais a ser feito. Sei que não obtivemos a paz totalmente no Iraque, mas avançamos de modo significativo. Nós convidamos 50 jovens do Marrocos e 50 do Iraque para irem à India. Estas pessoas eram tão fanáticas. Elas não nos aceitavam porque éramos hindus. Hindu significa adoradores de ídolos. Mas em uma questão de apenas 3 semanas eles começaram a apertar nossas mãos e a dançar conosco. Havia uma atmosfera tão harmoniosa. Tivemos 22 pessoas de Israel e cerca de 150 de outros países  árabes. Quando eles chegaram em Bangalore, os iranianos, iraquianos e árabes estavam tão furiosos. Eles disseram, “vocês nos traíram”. Mas em apenas 3 dias, houve uma diferença, eles começaram a gostar uns dos outros e a honrar uns aos outros. Eram 150 jovens árabes cantando Shalom e Om Shanti. Isso nos deu uma grande esperança de que podíamos fazer algo.

P: Muitos jovens em Israel estão deixando o país e procurando oportunidades em outros lugares. Isso não poderia afetar de modo negativo nossa economia?  Por favor, comente.

Sri Sri: Se são apenas 25% dos jovens  que vão para fora, eu diria que é bom. Eles irão desenvolver um senso de responsabilidade com o seu país, com o seu lugar de origem. É bom que as pessoas vão e espalhem isso a todos os lugares. Ao mesmo tempo, se isto estiver drenando a economia de uma universidade, de um estado – como no caso de se gastar para educar uma criança, e então a criança vai a outro lugar e não contribui para o governo ou sistema – então temos que cuidar deste dreno. Isto é um problema universal. Não está apenas confinado à Israel. Está presente na Ásia, no Japão, em todos lugares. Eu diria que é um senso de responsabilidade à universidade, ao governo a quem quer que tenha lhe dado educação, pagá-los em retorno. Isto tem que chegar às pessoas. A espiritualidade está elevando o espírito, a consciência. O dinheiro é para seu conforto. Ele lhe traz conforto no nível material. Gastamos metade de nossa saúde ganhando riquezas e depois gastamos metade de nossa riqueza ganhando nossa saúde de volta, e geralmente isso não funciona. Então cuide de sua saúde, porque sua saúde é a sua riqueza. É parte da espiritualidade. O dinheiro deve ser mantido no bolso, não na mente. Se você ficar pensando no dinheiro o tempo todo, não poderá nem mesmo aproveitar o dinheiro que recebeu. Assim, o dinheiro é necessário, mas algo mais necessário que o dinheiro é a compaixão e a felicidade… que não podem ser comprados por ele. A geração atual não se preocupa com que os outros pensarão sobre eles. Eles não estão interessados em exibir-se, do mesmo modo que fazia a geração anterior. Riqueza é um símbolo de “status”, um símbolo de respeito, mas isso não é mais predominante na geração mais jovem.  Isso é algo muito bom. Eles ganham dinheiro apenas para si mesmos e não para mostrarem status, para mostrarem aos outros. E a geração mais nova, eu diria, é muito mais inteligente porque eles vêem que muitos têm dinheiro, mas não têm felicidade.

Eles não são amigáveis, não são felizes, e estão sempre empacados. A geração mais nova sente que precisa obter o máximo de suas vidas. A diferença está aí. A única questão é que a lacuna entre as gerações tem de estar preenchida. Isto pode acontecer com o entendimento, através da educação. Eu diria que a juventude de hoje é brilhante, muito concentrada e útil, se não caírem na armadilha do vício no álcool e nas drogas. Este é o perigo deles – iludirem-se por todo tipo de intoxicação, que é um estado lamentável.

© Fundação Arte de Viver

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