‘Entregue ao Divino tanto as qualidades positivas quanto negativas’

O que Sri Sri disse hoje:

India (Centro Internacional da Arte de Viver, Bangalore, India), 1º de setembro:

P: Cada um de nós possui uma mensagem para o mundo, mas maya (a ilusão) a encobre. Como descobrir esta mensagem?

Sri Sri: Quando estamos em paz, livres de qualquer amarra, nossa mensagem ao mundo virá por si própria.

P: Qual é a importância da sankalpa (intenção) e como fortalecê-la? O mundo se move pela sankalpa?

Sri Sri: A mente está cheia de sankalpa e vikalpa (a imaginação, o ornamento). Todo trabalho se realiza pela sankalpa. Até mesmo o ato de mover um braço é precedido pela sankalpa em nossa mente. Se vinte sankalpas surgem na mente, nada será realizado. Quando a mente está tranquila e descansada, então nossa sankalpa é poderoso.

A sankalpa de uma mente fraca é também fraca e de uma mente forte, é forte. Podemos fortalecer nossa mente através do sadhana (práticas espirituais) e do conhecimento. Deste modo, a sankalpa também será forte. O sábio realiza uma sankalpa em cinquenta dias enquanto que o ignorante realiza cinquenta delas em um único dia.

P: Se valores opostos são complementares, então eu sou bom, mau ou sou as duas coisas?

Sri Sri: Por que você coloca uma etiqueta de ‘bom’ ou ‘mau’ em você mesmo? Tire isso e seja natural, fique em paz. Quando dizemos que uma qualidade negativa é nossa, sentimos culpa e quando dizemos que uma qualidade positiva é nossa, tornamo-nos orgulhosos. Estas duas condições são sinais de que estamos mentalmente doentes.

Entregue ao Divino tanto as qualidades positivas quanto as negativas.

Uma pessoa que se entrega estará bem. A entrega traz foco e caráter à vida. Sem o desenvolvimento destes dois, a vida segue sem direção. Até mesmo um pouquinho de sacrifício, ajuda um indivíduo a florescer. Sem sacrifício o brilho não aparece. O sacrifício não nos deixa com um rosto comprido, cheio de tristezas. Renúncia é alegria, enquanto que o kami (alguém cheio de desejos) deixa a pessoa pesada e triste.

Tirar o peso de si mesmo e entregar-se, é sadhana.

P: Uma hora diária de sadhana seria suficiente para que ele se estabeleça em nós mesmos (o atmasakshatkar)?

Sri Sri: Vinte e quatro horas não são suficientes e até mesmo dez minutos ou dois minutos de um total samadhi (meditação) são o suficiente.  O sadhana não é um samay saapeksh (ater-se ao tempo). Faça de sua vida inteira um sadhana, mas não transforme isto em uma desculpa para não fazer o sadhana. E também, não pense que esta hora de sadhana que você fez é o suficiente e no tempo restante você fará o que quiser.

P: Estou centrado no Divino, ainda assim há uma inquietude, muito embora no exterior tudo esteja perfeito.

Sri Sri: Na vida de todo aquele que busca, existe um momento em que o coração fica tenso e instala-se a inquietude. No Ocidente, isso é conhecido como “o momento mais negro da alma”. Há um momento em que a satvik shakti (energia positiva) é menor e o rajogun e tamogun estão altos, e isso leva à inquietude. Há três tipos de taap (penitência) e um deles é conhecido como adhyatmic taap (angústia espiritual). Mas isso é por um curto tempo. Por isso, o satsang é muito importante, principalmente quando você não sente vontade de fazê-lo. Uma vez em cada doze anos, uma falta de espiritualidade virá. Surgirá a dúvida sobre o seu “eu”, sobre o caminho e sobre o Guru. Isto é o que dizem as escrituras.

Por isso, o festival Kumbh acontece a cada doze anos e todos os consagrados se unem para limpar todos os seus pecados. Esta tradição é muito antiga.

Um local onde aqueles que buscam realizam o satsang e onde os Vedas são recitados – o kalyuga nunca se instala.

P:Qual é a importância de se entender os efeitos do tempo quando estamos fazendo algum trabalho?

Sri Sri: A astrologia é conhecida como o olho do conhecimento, mas você não pode confiar nos astrólogos de hoje em dia. Não corra atrás de astrologia. É um ramo do conhecimento, é shastra (ciência tradicional) e é verdadeira, mas ainda assim as previsões diárias não são levadas a sério por ninguém. O Sadhana é efetivo e poderoso. O Shivji é o Mahakaal (Aquele que destroi o tempo). Não importa qual seja o kaal (o tempo), apenas diga Om Namah Shivaya, pois isto contém todos os cinco elementos e não há nada fora dele. Este é um mantra muito importante.

Ao canta-lo, não imagine Shiva com o bhasma (cinzas) sobre todo o corpo e um tridente nas mãos, pois isso é a imaginação de um pintor. Shiva é a Chaitanaya Tattva (a Consciência), nossa alma, presente em todo o lugar; é um campo de energia. Sabe por que aplicamos o bhasma na testa? Há três tipos de ácaros em nossa testa, únicos como nossa impressão digital. Para manter os ácaros em suas áreas, colocamos três linhas na testa.

Um experimento na Rússia revelou que um lugar que foi coberto com gobar (esterco de vaca) ou teve Agnihotra bhasm (cinza do ritual védico de Agnihotra) foi menos afetado pela radiação do desastre de Chernobyl.

Em tempos antigos, a pasta ou cinza da madeira de sândalo eram aplicados na testa para prevenir os efeitos da radiação, já que a cabeça é um local sensível.  As cinzas também mantinham a mente tranquila.

E também, colocar cinzas na pele era um lembrete que a pele que vemos hoje, se transformará em cinzas amanhã. Com esse conhecimento, não se pode fazer nada errado. O fim da vida está nas cinzas, esta percepção pode limpar nosso sistema de todas as emoções negativas. O desapego cresce e a raiva, a inveja etc… se dissolvem.

A razão por trás da tradição era linda. Hoje as pessoas nada sabem sobre o bhasma, mas aplicam-no por orgulho. Entender o significado por trás da prática é importante.

P: Sinto-me bastante seguro no ashram e tenho medo de ter que voltar ao mundo exterior. O que faço?

Sri Sri: Certo, tenha medo. Acorde seu entusiasmo, o que quer que aconteça, deixe acontecer. Ao menos acredite que você não está sozinho, que o Divino está aí. Observe onde está a sensação de medo… se está no coração, na garganta e em outras partes do corpo. Faça o pranayama, a bhastrika e o Sudarshan Kriya. Mantenha-se ocupado, não se permita muito tempo para pensar, e aí onde vai haver tempo para se ter medo?

*kalyuga – Idade do Ferro, Idade das Trevas

(Do Gabinete de Sua Santidade Sri Sri Ravi Shankar)

© Fundação Arte de Viver

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