‘A Energia Divina que permeia a criação inteira está eternamente dançando’

O que Sri Sri disse hoje:

Índia (Centro Internacional da Arte de Viver, Bangalore), 25 de Agosto:

P: No Bhagavad Gita, o Senhor Krishna diz, “Yada Yada Hi Dharmasya… Sambhavami Yuge Yuge.” Por favor, fale sobre isso.

Sri Sri: O atma shakti (o poder do Eu) que destrói o mal e preserva o satva (a pureza) aparece sempre. Quando dizemos que Deus é compassivo, não são apenas palavras, mas sim a verdade. O sinal da compaixão tem que acontecer. A Criação banha de compaixão a sociedade. Em tempos variados, Deus vem com nomes, formas e qualidades diferentes.

Ocorre em todas as religiões: os judeus esperam por seu messias. Cristo disse que Ele retornará um dia. Assim, os cristãos ainda esperam. O Profeta Maomé veio e partiu. As pessoas ainda esperam para que Buda e Krishna retornem. Eu diria para não perderem tempo esperando. Explorem a profundidade de seu ser e perceberão que a Consciência Suprema não está em alguém que vem no futuro, mas está aqui, agora. A fé neste conhecimento é o sinal de quem procura o caminho espiritual.

As pessoas lutam em nome de Deus e do messias. Sentir a presença do Divino é a arte de viver.

P: Dizem que há um Veda (escritura) diferente, indicado para cada indivíduo. Qual é a conexão e como isso funciona?

Sri Sri: Há um tempo atrás, as pessoas dividiram os Vedas em ramificações. Cada grupo escolheu um ramo diferente e aprendeu sobre ele com o coração para que preservassem o conhecimento em sua forma mais pura.

Tripathi” era o nome usado por aquele que dominasse três Vedas. “Dwivedi” era dado a alguém com conhecimentos de dois Vedas e “Chaturvedi” para o mestre de quatro Vedas. Era como um título de mestrado. A pessoa tinha que ter lido pelo menos uma ramificação dos Vedas. Há uma relação dos Vedas com as famílias, mas você pode estudar qualquer uma.

P: O que significa o símbolo de Natraja?

Sri Sri: Natraja é um símbolo muito lindo da união da natureza com o Divino. Natraja segura o fogo com uma mão, representando assim o elemento fogo. Um damru* em sua outra mão representa o elemento espaço. Muitas forças no universo são representadas com formas similares ao de um damru, como as do cromossomo por exemplo, ou como as formas das galáxias e por aí vai. O tempo também é conhecido por ter uma representação cônica. ∞ é o símbolo (a mesma forma do damru) que representa a infinitude.

O cabelo de Shiva, solto e esvoaçante, representa a elemento ar. Um pé está no chão e simboliza prthvi (o elemento terra), o outro está no ar. Uma mão simboliza o abhaya hasta e oferece proteção, a outra aponta para seu pé e simboliza a entrega. Com um pé erguido no ar, ele dá um passo em direção ao devoto. Ele diz “você é querido por mim” antes mesmo de começar. Até mesmo no Bhagavad Gita, o Senhor Krishna diz a Arjuna, “você é muito querido para mim”. Quando você sabe que é querido por alguém, a confiança e o amor brotam no coração.

Shiva está dançando. A vida deve ser assim. Se os dois pés estão plantados no chão, você não consegue dançar. Até mesmo para andar você precisa levantar um pé.

A criação inteira é cheia de bênçãos

A criação inteira dança em meio a bênçãos.

A criação inteira anseia por bênçãos.

Natraja representa a Ananda Tattva (a benção) que o mundo todo anseia. Cada átomo do mundo possui o potencial para a ação e, ainda assim, permanece em paz. Shiva, o princípio da paz  e bênção infinitas não está inerte. Está em paz, mas dançando.

Debaixo de seus pés, há um Apasmaar***. Ele bota os seus pés sobre os desejos. Se o desejo nos consome, então estamos com problemas. Somente quando nos erguemos sobre os desejos e dançamos sobre eles, será uma dança de alegria e bênçãos. Isto não apenas imaginação. Esta é a verdade. Esta energia desperta dentro de nós e se traduz em dança. É a verdade. A energia Divina que permeia a criação inteira está eternamente dançando.

P: Por favor, explique sobre o Chidambara rahasya.

Sri Sri: Chidambaram é o lugar de Shiva que simboliza o akash tattva (ou o princípio do espaço). O espaço não tem forma. No sanctum sanctorium deste templo, há um véu. Além do véu, não há nada, só o espaço vazio. Somente podemos saber o segredo de Shiv tattva ao adentrarmos nele.

Há três tipos de espaço que estão descritos. O Bhutakash – o corpo físico, o Chittakash – os pensamentos e emoções, e o Chidakash – a vastidão da Suprema Consciência. A energia da vida é despertada no Chidakash. O segredo do Chidambara só pode ser sentido por aquele que se esforça para trilhar o caminho espiritual.

P: Qual a diferença entre Shiva e Krishna?

Sri Sri: Não há diferença entre Shiva e Krishna. Quando Shiva se manifesta no mundo expressa todos os kalas (unidades de consciência) ele é Krishna.

Os Brahmakumaris dizem que Shiv baba deu o Bhagavad Gita. Esta Canção (o Gita) somente pode surgir do espaço de Shiva através do corpo de Krishna.

*um pequeno instrumento cônico

**um demônio que representa a ignorância

(Do Gabinete de Sua Santidade Sri Sri Ravi Shankar)

© Fundação Arte de Viver

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